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Geraldo Azevedo, 20-01, Teatro Rival (foto Daniel A.)
Sempre é difícil escrever uma crônica um tanto quanto morna – para não dizer negativa -, em relação ao show de um artista importante da MPB que admiramos há muito tempo.
No
que me diz respeito, Geraldo Azevedo faz parte dos compositores que me
colocaram em contato com as músicas do Nordeste, ao lado de outros ícones como
Alceu Valença, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. [...]
E é um exercício ainda mais difícil quando esse mesmo artista vem defender com muita paixão uma causa, cujo envolvimento prejudica a apresentação.
Nesses 20 e 21 de janeiro, no Teatro Rival (RJ), Azevedo retornava para apresentar o cd e dvd «Salve São Francisco», trabalho conceitual sobre o rio com o mesmo nome – de mais de 2800 quilômetros – chamado popularmente de O Velho Chico (vide a resenha do disco, de abril 2011 aqui!!).

Se
o álbum possui boas composições (Opará,
Francisco Francisco, Riacho do Navio), e conta com as luxuosas
participações de Ivete Sangalo, Fernanda Takai, Alceu Valença, Djavan, Maria
Bethânia, ou Morais Moreira, sua tranposição para a cena, sem os pretigiosos convidados, não chega a seduzir.
Primeiro, - como aconteceu com Gilberto Gil – a voz do compositor se desgastou bastante com o passar dos anos.

Geraldo Azevedo & Clarisse Azevedo (backing),
20-01, Teatro Rival (foto Daniel A.)
Segundo, porque Azevedo fez questão de apresentar quase a totalidade do disco em um bloco, desde o início do show, sem espalhar, aqui e ali, os sucessos esperados pelo público. E quando, enfim, ele encadeou, lá para o final, Bicho de sete cabeças, Chorando e cantando, Moça bonita, Dona da minha cabeça, Canta coração ou Dia Branco (uma das mais belas melodias de toda a música popular brasileira!) ele cismou de voltar, antes do «bis», com estandartes ecológicos S.O.S. Natureza e São Francisco Help, que, por mais que sejam nobres e sinceros da parte do artista, se afundam na pieguice, e dão um balde de água fria na platéia que morre de tédio.

Geraldo Azevedo, 20-01, Teatro Rival (foto Daniel A.)
Resumindo, se o álbum pode conscientizar através da sua beleza artística, o show diminui muito o interesse pelo assunto tratado.
