Categorias: Resenhas cd's

Após «Quando o canto é reza» (2010), álbum em colaboração com o excelente Trio Madeira Brasil, que levava o mundo musical do samba «de raiz» do compositor baiano Roque Ferreira para as salas chiques e sofisticadas da «zona sul» carioca (o que o principal interessado só apreciou muito comedidamente), Roberta Sá nos propõe «Segunda pele», quarto álbum estúdio, que retoma o espírito do muito bom «Que Belo estranho dia pra se ter Alegria» de 2007. [...]
Em outros termos, uma coleção de canções de
horizontes muito variados, bastante radiofônicas, que combina muito melhor com
o estilo da cantora, dona de uma bela voz suave e sem aspereza, que não deve
temer de se modificar ou de se diversificar para não provocar aborrecimentos.

E a «diversidade» é exatamente a palavra-chave deste álbum que viaja do frevo (Deixa sangrar – Caetano Veloso), ao samba O Nego e eu – João Cavalcanti), passando pelo jongo (No arrebol – Wilson Moreira), pelo xote (A Brincadeira – Moreno Veloso/ Domenico Lancellotti/ Quito Ribeiro) e pela loucura do tropicalismo (Bem a sós – Rubinho Jacobina).
Um pouco como o álbum «Tempo de menino» (2011) do compositor e esposo da cantora, Pedro Luís (que participa na composição dos dois títulos), não nos entediamos um segundo sequer, e o que poderia ser um bom e banal álbum a mais para Roberta Sá, se transforma em um disco que possui seus momentos de pura felicidade (e chamo a atenção para o fato de que este humilde jornalista que escreve estas linhas não é um fã incondicional da cantora!): para começar, o sublime Você não poderia surgir agora, uma bossa assinada por Dudu Falcão; seguindo (eu ia dizer como sempre!) as composições de Lula Queiroga - Altos e baixos e Pavilhão de espelhos – artista acostumado com os álbuns de Roberta, que tinha assinado a faixa-título de «Que Belo estranho dia…», uma das mais belas baladas ouvidas nesses últimos anos.
Depois de Roque Ferreira, poderíamos talvez
dar, a Roberta Sá, a sugestão de consagrar um álbum às canções de Queiroga, que
ela transforma, a cada vez, em pepitas de ouro!
Sob a hábil produção de Rodrigo Campello –
moderna mas sem cair no modismo -, e os arranjos assinados por Mário Adnet e
Humberto Araújo, «Segunda Pele» é uma continuação mais do que
honrosa ao «Que belo estranho dia…». E por si só, já é um grande
sucesso!
Roberta Sá: «Segunda pele» - MP,B / Universal – (ótimo!)
Comentários
1. le Segunda-feira 13 Fevereiro 2012 par SuryaImpressionante como Roberta Sá marca este albúm com a diversidade no timbre. O repertório variado e envolvente nos da a idéia de alegria…ótima assertiva ao mesclar sonoridade. Lindo trabalho.commentaires de blog gérés par Disqus
