Caetano Veloso e Maria Gadú

Citibank Hall (RJ)


À minha esquerda (ou à esquerda, na foto) : Caetano Veloso , nascido em Santo Amaro da Purificação (Bahia) em 1942. Um dos pilares fundamentais da música popular brasileira ; mais de 40 anos de carreira e tantos quantos álbuns ; uma das mais belas vozes do Brasil ; e uma personalidade tão (gentilmente) polêmica quanto cativante. […]
Não há necessidade de apresentá-lo, mas é importante assinalar que, de sua geração, é ele quem permanece o mais « vivo » dos artistas (junto com sua irmã Maria Bethânia) no sentido mais criativo do termo.

Características :Caetano pode se permitir tudo, mas ele continua a colocar a si mesmo em dúvida, ou no mínimo a buscar continuamente novos caminhos, como ficou provado em seus dois últimos àlbuns, « Cê » (2006) e « Zii e zie » (2009), nos quais ele toca com jovens músicos da cena indie carioca.

…Nos bastidores da gravaçao do dvd (foto Daniel Achedjian)

 

À minha direita (ou à direita, na mesma foto) : Maria Gadú , nascida em São Paulo, 24 anos, que entre a multidão de novas cantoras, distinguiu-se em 2009 através de um primeiro àlbum brilhante, que nos revelou uma boa compositora com uma veia MPB pop, bem como uma intérprete de voz segura e dona de um timbre original.

Características : ela se apresenta em cena sentada, tal qual um escoteiro arás de seu violão (que ela domina particularmente bem no seu próprio acompanhamento) ; ela exibe um look à la garçonne que agrada a seu público GLS ; ela é alvo duma superexposição que poderia ter sido prejudicial para sua carreira, como assim atestam as numerosas participações especiais nos mais diversos projetos. Da mesma forma, depois de apenas um primeiro álbum, ela já lançou seu próprio dvd, e até mesmo, em breve, um segundo, que ela dividirá com seu « padrinho » Caetano Veloso, cuja gravação aconteceu nesse último 19 de dezembro, no Citibank Hall do Rio de Janeiro.

Maria Gadú, no seu momento solo (foto Daniel Achedjian)

 

A história de amor musical entre essas duas estrelas de diferentes gerações remonta à época em que Caetano havia assistido ao show da jovem paulista, em 2008, na finada pequena sala do espaço Cinémathèque, no Rio. Segui-se então um show de elogios por parte do baiano, cujas opiniões são todas sempre veiculadas pela imprensa. Então, há alguns meses, Caetano e Gadú se reencontraram em duo para um número no meio da entrega de um prêmio brasileiro de música. A sintonia entre os dois artistas foi tal que eles decidiram iniciar uma curta tournée pelas capitais brasileiras, a partir de novembro de 2010.

…Caetano, introduzindo Alegria alegria (1967)…
“tinha a idade da Gadú quando a cantei” (foto Daniel Achedjian)

 

Eu havia perdido a apresentação de 5 de dezembro último, no Rio ; porém, por sorte, foi decidida uma data específica para gravar o show para a posteridade, e isso foi no Citybank Hall (mesmo que certas partes do espetáculo já tenham sido insertadas no futuro dvd).
Embora eu não seja forçosamente fã desse gênero de encontro, que normalmente não acrescenta grande coisa ao repertório apresentado, e que cai numa espécie de amável condescendência de parte a parte (o tipo de show 1+1= ainda apenas 1), cabe reconhecer que não foi absolutamente esse o caso ontem à noite.
Os dois artistas se mostraram bastante discretos em suas falas entre os títulos, evitando assim as bajulações mútuas. E ocorreram de fato muitos bons momentos que nasceram desse encontro…

O duo começou suavemente com Beleza pura, de Caetano, antes que ele deixasse Gadú iniciar uma sucessão de 7 títulos, esgotando quase que todo o conteúdo de seu primeiro disco.

As coisas deslancharam sériamente quando a cantora introduziu Podres poderes (de Veloso), antes que o autor da canção viesse a reunir-se novamente a ela para
O Quereres e a sempre sublime Sampa. Em seguida, foi a vez do baiano de encadear a sequência com 7 de seus títulos, visitando seu imenso repertório, que, com exceção de Desde que o samba é samba, Alegria Alegria e Sozinho (de Peninha), mostrou algumas pérolas não exatamente esperadas, como Genipapo absoluto, Milagres do povo, e De noite na cama.

Caetano e Maria Gadú, 11 duetos durante o show (foto Daniel Achedjian)

 

O anfitirão desenrolou em seguida o tapete vermelho para o retorno em cena de Gadú, com Shimbalaiê em solo, antes do duo lançar-se a 8 títulos a duas vozes numa harmomia geralmente muito convincente. Dentre esses : Vaca profana, Rapte-me Camaleoa, O Leãozinho, Trem das onze (Adoniran Barbosa), seguido pelo momento de graça que foi Nosso estranho amor, o que provou que o tempo jamais veio a influenciar o falsete de Caetano.

Em resumo, foi um espetáculo gracioso e sóbrio ; um encontro longe de ter sido inútil, e rico em excelentes momentos… Na esperança de que o dvd mostre esses instantes o mais próximo de como o público os presenciou nesse 19 de dezembro de 2010…

Todas fotos: copyright Daniel Achedjian. Fotos tiradas ao longo de shows que aconteceram em varias
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