Nilze Carvalho

Centro Cultural Carioca

Nilze Carvalho, 13-12, Centro Cultural (foto Daniel Achedjian)
Trata-se simplesmente de uma questão de datas… Começa a preparação para as festividades do Natal e Réveillon ; o trânsito do Rio começa a tornar-se um verdadeiro caos (as compras de última hora, os motores dos carros que não suportam o calor e entram em pane) e os shows vão diminuindo até 4 ou 5 de janeiro… Mas quem procura, ainda encontra… […]

Segunda passada, 13 de dezembro, a cantora, compositora, e sobretudo instrumentista, Nilze Carvalho , tocou no Centro Cultural Carioca (centro da cidade, Rio de Janeiro) para apresentar seu segundo álbum : « O Que é meu ».

 

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Na realidade, se por um lado Nilze contabiliza 2 Cd’s como intérprete, por outro ela já gravou muito mais como instrumentista. Jovem artista associada ao samba e ao chorinho da Lapa, junto com seu grupo Sururu na Roda, ela já possui atrás de si uma trajetória impressionante.

Considerada uma criança prodígio, Nilze Carvalho revelou seus talentos precoces em público com a idade de 6 anos, atrás de seu cavaquinho, antes de gravar seus 4 primeiros discos instrumentais, com a tenra idade de 11 anos, sob o título « Choro de menina ». Isso foi entre 1981 e 1984.

Um pouco mais tarde, ela inicia uma carreira internacional, tocando no mundo inteiro, inclusive se fixando no Japão por 7 anos, antes de retornar ao Brasil em 1998, para gravar um novo título instrumental : « Chorinho de Ouro ».

A partir dessa época, ela passou então a ser associada à revitalização do bairro da Lapa, se apresentando nas casas tradicionais (Carioca da Gema, CCC…), no centro do grupo Sururu na Roda, com o qual ela gravou 2 álbuns, em 2002 e 2004. Dentre múltiplos projetos, ela dedica-se enfim a uma carreira que a expõe como boa cantora e compositora, através do muito bom « Estava faltando você », lançado em 2005 .

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« O Que é meu », editado faz pouco tempo, segue a mesma linha elegante, alternando algumas pérolas de outros artistas, como Doces Recordações (Dona Ivone Lara/ Délcio Carvalho), a belíssima releitura de Lua Cheia (Chico Buarque/ Toquinho), ou ainda Festa (Gonzaguinha) e Santa Cécilia (Tuninho Galante/ Marceu Vieira), o que mostra a inclinação da jovem também para os ritmos do Nordeste.
Mas Nilze surpreende ainda com composições pessoais que não têm nada de aborrecidas, como a muito boa Ela sabe quem é (c/ Camilla Costa) ou Nordestino (c/ Zeca Leal).

Na segunda feira passada, Nilze apresentou então o repertório de seus dois últimos álbuns : mais do que quaisquer outros, com clássicos do chorinho e do samba, entrecortados pelas partes instrumentais tendo ela mesma como solista (ao bandolim e ao cavaquinho), com uma maestria que lhe confere toda uma personalidade própria, entre as boas artistas femininas surgidas da cena da « nova » Lapa… Visto que mais do que uma boa cantora (mesmo que ela não seja dona de um timbre particularmente original), Nilze Carvalho é sobretudo uma excelente musicista, e uma compositora que deverá cada vez mais dar espaço para suas criações, num futuro próximo…