Gal Costa e Maria Gadú : dois álbuns que surpreendem, Estratosférica et Guelã

Gal Costa e Maria Gadú : dois álbuns que surpreendem, Estratosférica et Guelã

 


Como se costuma dizer em francês, “Guelã”é a surpresa do chefe. Talvez eu não tivesse ouvido o álbum se não tivesse lidouma resenha positiva que falava sobre um álbum inesperado de Maria Gadú.[…]

Não é porque eu não gosto dacantora-compositora paulista, mas sua superexposição após seu excelenteprimeiro álbum (2009) – suas participações se multiplicaram em muitos discos decolegas, a turnê com Caetano e muitos outros projetos – acabou provocando umaespécie de overdose musical e de imagem. A partir daquele momento, eu esnobeium pouco seu segundo disco “Mais uma página” (que era de boa qualidade, noentanto).

Mas “Guelã” é um pouco como “O Bloco de eusozinho” (2001) após o sucesso de Los Hermanos de Anna Julia (1999).


 

“Guelã” não tem nada de comercial.Trata-se de um álbum quase alternativo, com títulos curtos, que procura sermais inteligente e sutil do que comercial. Aliás, o aspecto e espaço instrumental sãorealçado. Trata-se realmente de um álbum que está mais para ser escutado do quepara ser tocado para que uma sucessão de sucessos seja ouvida.

Ele decepcionará muitos fãs”radiofônicos” (não tem um baita sucesso), mas mostra que se a moça podeproduzir álbuns de MPB de qualidade para o público em geral (seu primeiro), elapode se aventurar rumo a uma música sofisticada com sucesso.

Maria Gadú se afirma com “Guelã” como sendouma artista que vai ocupar o cenário musical, por mais do que dois ou trêsálbuns. Mas, na verdade, já é o caso desde seu primeiro álbum.

 

Maria Gadú: «Guelã» -Slap/ Som livre (Bom!)



 

 

Está claro queGal Costa vai recuperar um público perdido após o lançamento do audacioso “Recanto”(2011), composto inteiramente por Caetano Veloso no espírito do grupo, sempor isso perder o que foi ganho com este mesmo álbum, pois o aspectocontemporâneo dos arranjos, mesmo diferentes, é o que mantém o lado moderno de“Estratosférica”.

Então, o álbum surpreende como ésugerido no título desta postagem? Na verdade, não realmente, já que nãopodemos ser surpreendidos quando não sabemos o que estamos esperando.

Ou Gal continuava na atmosfera complexade “Recanto”, ou ela reaparecia com um álbum construído em torno dos jovens -ou menos jovens – compositores, como ela tem a princípio feito ao longo de suacarreira.

E a surpresa aparece agora. Em umprimeiro momento (mais no início do álbum) ela faz as pazes com umaorquestração mais para clássica em cima de composições bastante boas – Ecstasy(João Donato Thalma de Freitas), por exemplo, ou um rock sólido que abre oálbum Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira/ Antônio Cícero).

Mas é a partir de Quando você olha paraela (Mallu Magalhães), que os ruídos eletrônicos pilotados por Kassin invademum pouco mais o álbum produzido com Moreno Veloso, sob a direção musical deMarcus Preto, que fez um trabalho notável na escolha do repertório, com algumaspoucas exceções. Encontramos aqui e ali, os nomes de Junio Barreto, Zé MiguelWisnik, Arnaldo Antunes, Cezar Mendes, ou Marisa Monte.


Apenas a obra prima Ilusão à toa doexcepcional Johnny Alf, que fecha o álbum, parece ter saído de um anteriorálbum clássico da cantora.

Para concluir, no final de “Recanto”, doqual eu havia feito, na época uma resenha positiva, eu ressaltei a audácia doprojeto e dos arranjos, ao mesmo tempo salientando que mesmo se o disco erabom, eu não tinha certeza se o escutaria com frequência. Neste caso aqui, aqualidade melódica do conjunto responde positivamente a esta questão.

 

Gal Costa: «Estratosphérica»- Sony Music (Bom!)

 

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