Escutando hoje Manuela Rodrigues

“Se a canção mudasse tudo”
Escutando hoje: Manuela Rodrigues “Se a canção mudasse tudo”

Isto, certamente, nãofoi a sua intenção, mas a baiana Manuela Rodrigues parece querer ser incluída maisuma vez entre os artistas que irão contar este ano.
E, aliás, não precisamosnem saber o que está à nossa espera, mais uma vez, musicalmente, para afirmarque, “Se a canção mudasse tudo”, não tem absolutamente nenhum errinho, assimcomo foi com “Uma Outra qualquer por aí”, uma das melhores produçõesbrasileiras de 2011.[…]

Ainda não tive aoportunidade de escutar «Rotas», seu primeiro disco que data de2003, (e quem sabe, não esteja escondido nos meus arquivos), mas esta que tinhatudo para fazer uma carreira como cantora clássica ou de ópera (exercício queela, aliás, realizou ainda jovem), acabou sendo pouco a pouco atraída por umamúsica mais popular.

Nascida no estado aBahia, Manuela começou, desde os 9 anos, a estudar flauta e piano clássico, emseguida, aprendeu o canto lírico na Universidade Federal da Bahia, antes deaperfeiçoar, durante um tempo, seu inquestionável talento como intérprete nosEstados Unidos, para ser mais preciso, na cidade de Nova Orleans.


Manuela Rodrigues (foto divulg.)


Foi daí que veio amudança para uma música mais popular? Talvez. Assim que voltou, ela foi coristade vários artistas da dita MPB, e participou de outros projetos voltados para amúsica da sua região, integrando diversos grupos vocais, e ganhando numerosasrecompensas musicais.

Em 2003, ela gravouseu primeiro álbum citado acima, «Rotas» – para o qual ela escrevee compõe 12 títulos -, e forma com as excelentes Cláudia Cunha e Sandra Simões,o trio 3 Na Folia, que interpreta clássicos de samba de carnaval de diferentesépocas.
O caminho que leva amuitos encontros lhe permitiu gravar “Uma Outra qualquer por aí”, título do seusegundo álbum de 2011, escrito por dois embaixadores da música independente einspirada de São Paulo, Rômulo Fróes e Clima.
Além das suasinterpretações, é o seu talento de compositora que impressiona. E se “Uma Outraqualquer…” podia conter alguns raros momentos de fraqueza, nesta terceiraobra, após ser escutada umas 3 vezes, fica muito difícil encontrar uma falha.

Desde o disco de2011, sua maneira de construir «Se a canção mudasse tudo” mudou. Apotência e a clareza da sua voz (como possuía Clara Nunes ou Elis Regina) nãonos dão nem mesmo o tempo de respirar e já somos conquistados por Linha (M. Rodrigues),pop/rock onde, como em todo o disco, a bateria proporciona um impulsoimportante. O título é retomadode uma maneira mais eletrônica no final do repertório. Nesse meio tempo, 12títulos desfilam visitando um número impressionante de estilos, nãointerferindo em nada na homogeneidade do disco. Aleatoriamente, passamos pelapop introduzida por um berimbau (Bagagem), uma rumba (Amor de carne e de osso,duo com Sílvia Manchete), um blues (Rede social), uma espécie de choro poucoortodoxo incrementado com violinos (Desejo batuque, escrito com Lara Belov), enquantoque sempre da sua própria criação, nos deparamos com Qualquer porto, que começacomo um tango (com o violonista franco-carioca Nicolas Krassik), Ventre, músicamais lírica, Marcha do renascimento, Ôxe, ôxe, ôxe (c/ Alessandro Lemos), umxote country (!), guiado por um banjo.



Manuela (foto Alessandra Nohva)


Mas se «Se acanção…» permanece com o mesmo nível de qualidade e de frescor nos 14títulos, é também porque, neste caso preciso, Manuela Rodrigues, tanto no nível daprodução (que ela divide igualmente com Tadeu Mascarenhas, Gustavo de Salva,Andre T., Luciano Salvador Bahia, e João M. Meirelless) quanto no nível dosmúsicos que a acompanham, fez a equipe revezar, como se diz no futebol. E nãosomente com os baianos, como para os paulistas mas também com os cariocas, comoManchete, Krassik ou um outro “residente” da Lapa (RJ), João Cavalcanti(Casuarina), com quem ela compõe e canta o samba Nenhum homem é uma ilha.

E no final, o fato deela ser a principal compositora, intérprete, e a mistura da modernidade, dotradicional e da multiplicidade dos ritmos de um mesmo país, fazem com que oconjunto se torne coerente. Mas não sejamos ingratos, e seria imperdoável nãocitar a versão vitaminada de Extra II de Gilberto Gil, Vai que eu desembeste dadupla Clima e Rômulo Fróes (que havia também composto Por um fio no álbumanterior), e Ronei Jorge (ex-líder do grupo Ladrões de bicicleta , no início desteséculo). Resumindo, acho que vocês já entenderam, Manuela está longe de ser sóuma a mais por aí, aqui ou lá, ela está muitíssimo longe disso…


O disco pode serescutado em www.naturamusical.com.br ou Spotify…

 

ManuelaRodrigues: «Se a canção mudassetudo» – Natura Musical- (Ótimo!)

 

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