Romulo Fróes e «Rei Vadio» no Sesc Vila Mariana (SP)

Quando a tristeza se expressa de uma forma mais épica no palco
Rômulo Fróes e «Rei Vadio» no Sesc Vila Mariana (SP) Quando a tristeza se expressa de uma forma mais épica no palco, 17-03-2016


Romulo Fróes, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)


Não precisamosretomar nem ao último álbum, “Rei vadio“, de Rômulo Fróes, narrado na postagem anterior,nem mesmo ao “Para elas sem elas”, comentado mais concisamente, no início desteano, que fazia parte dos meus dez discos favoritos de 2015; ou, então, àdiscografia, resumida sucintamente, ao mesmo tempo em que o álbum dedicado aNelson Cavaquinho (1911-1986).
Oshow que apresentou “Rei vadio”, nestes 17 e 18 de março, no Sesc Vila Mariana(SP), surpreendeu por várias razões.[…]


Cuca Ferreira, Thiago França, Allan Abbadia, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)


Marcelo Cabral, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)


Ao entrar na sala,reparamos no palco uma longa fileira de cadeiras com partições, onde seinstalariam os metais, liderados por Thiago França, vários instrumentos depercussão, os violões já afinados, de Rodrigo Campos, Kiko Dinucci e GuilhermeHeld, e o baixo e o contrabaixo de Marcelo Cabral, uma equipe que se formou naépoca do álbum “Um labirinto em cada pé” (2011), com exceção de WellingtonMoreira “Pimpa”, já presente em “Calado” (2004) e de Guilherme Held que seencontra em “O Chão sem chão” (2009).

 


Guilherme Held, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)


Rodrigo Campos, Kiko Dinucci, Thiago França, Marcelo Cabral, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)


Resumindo, quandoestamos acostumados a assistir Rômulo Fróes na Casa de Francisca (SP), com umacapacidade para umas quarenta pessoas, com seu palco minúsculo, ficamos com aimpressão de que foi Letieires Leites e Orquestra Rumpilezz quem fomosassistir.


Clima, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)


Outra curiosidade, enão das menores, um pouco como o show de Mariana Aydar e a instalação domúltiplo artista Nuno Ramos, tivemos o direito, desta vez, do lado esquerdo dosmúsicos, a um alambique de tamanho reduzido, mas em funcionamento, instalado pelogerente provisório Clima (mas também Nuno Ramos), o outro artista plástico ecompositor da mesma turma.

Clima já estava nopalco preparando uma cachaça caseira, com os conselhos pertinentes duma marcada bebida, para alegrar os músicos antes e durante o show. Em suma, uma espéciede “open bar” à vontade, mas do qual os instrumentistas não abusaram.
Na hora prevista do show, cada músico, veio pegar, como uma hóstia na igreja,seu copinho para brindar com seus colegas antes de ocuparem seus lugares.

 


Romulo Fróes, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)


Rômulo
introduziu orepertório, como no disco, com o agudo
Pode sorrir (Nelson Cavaquinho /Guilherme de Brito), e se seguiram os títulos do álbum em uma ordem diferente.

Entre estas 14músicas, Rômulo foi procurar em seus primeiros trabalhos, algumas músicas emsintonia com “Rei vadio”.
Seria o caso para o duo com, como convidada, a divina Ná Ozzetti que cantariaem duo, além de Caminhando do último álbum, Amor doente (Fróes / Clima) doálbum “Cão” (2006), revisitado através dos arranjos de Thiago França, que fez omesmo para Mulher sem alma (que se encontra em “Rei vadio” com uma versão bemdiferente, com bateria descontrolada, daquela que já constava em “Cão”).
Estamúsica, gravada por Talma Costa em 1966, foi o ponto de partida da descobertade Rômulo Fróes no que diz respeito ao sambista. Nelson, por sua vez, sógravaria seu primeiro álbum, enquanto intérprete, em 1970.


Romulo Fróes & Ná Ozzetti, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)


Ná Ozzetti, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)

 

Outras convidadas quefizeram deste show tudo menos um espetáculo melancólico, a presença deLaurinha, Clara e Irene da Velha Guarda Musical de
Nenê da Vila Matilde
paraVou partir (Nelson Cavaquinho/ Jair do Cavaquinho) e Manda chamar (Fróes / NunoRamos), enquanto que para o final do show, o grupo se lançou em Juízo Final (NelsonCavaquinho / Élcio Soares), carnavalesco e apocalíptico durante o qual osmúsicos se levantaram e tocaram em um alegre alvoroço. Dá para perceber que, aolongo dos anos, Rômulo Fróes domina cada vez melhor os espaços cênicos degrande tamanho, com gestos mais expressivos que já aproveitam do seu estaturarobusta, mesmo se seu jeito de cantar não precise de muitos movimentos para fazeras emoções transbordarem.


Romulo Fróes & Romulo Fróes & Laurinha, Clara et Irene de la VieilleGarde Musicale de Nenê de Vila Matilde, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(photo Daniel Achedjian), 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)

 

E como se diz naentrega dos Oscars, “não podemos nos esquecer daqueles sem os quais, nosbastidores, nada seria possível”. Como neste caso, a importância da iluminação,que para um repertório com conteúdo, possui um papel que é, às vezes, subestimado.Ela fora coordenada por Paulinho Fluxus

 


Romulo Fróes, 17-03, Sesc Vila Mariana (sp)-(foto Daniel Achedjian)