Bioclipes: Dolores Duran (1930-1959)

Dolores Duran Voltando a Dolores Duran, sua vida curta foi, no entanto, sujeita a vários ensaios ou biografias, no Brasil, cuja última (que eu saiba), data de 2012, escrita por Rodrigo Faour.

No que diz respeito aos registros sonoros, ainda é fácil encontrar a coletânea lançada em 2010, que, como se diz em inglês, é um « must have ». E já que evoquei a língua de Shakespeare, Adiléia Silva da Rocha, nome de batismo de Dolores, oriunda de uma família humilde, aprendia com facilidade, manuseava, com muita desenvoltura, o francês, italiano, espanhol, ou inglês.
Problemas de saúde, desde a sua juventude, assimilados à vida boêmia que suas capacidades de cantora a levaram viver, lhe permitiu conhecer grandes nomes, lhe custando sua vida, antes de chegar aos trinta anos.

Mas Dolores Duran a viveu intensamente, tanto artisticamente quanto pessoalmente (sem ser dona de uma beleza fatal, ela teve muitas histórias amorosas com artistas como Billy Blanco ou João Donato, o que também causou episódios dolorosos).
Um dos grandes momentos da sua vida artística ocorreu quando a grande Ella Fitzgerald veio especialmente vê-la, em 1950, no Baccarat (RJ), chegando à conclusão de que sua versão de My funny Valentine (Richard Rodgers e Lorenz Hart) era a melhor versão que já tinha sido ouvida.     dolores_caixa_cds1

Dolores, que conheceu um enorme sucesso em 1956 com Fim de caso (Dolores Duran), se apresentou no Japão, em Paris e até mesmo na União Soviética, construindo não apenas uma reputação de intérprete, mas também de compositora, um fato quase inédito para uma mulher.

A história é conhecida, mas no auge dos inúmeros sucessos de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, final dos anos 50, este último veio ao encontro da cantora, somente com a melodia de uma música. Dolores pegou um lápis preto de maquiagem, um pedaço de papel, e em alguns minutos, escreveu, o que seria o clássico, Por causa de você, passando por cima do poeta, na maioria das vezes, exclusivo nas suas colaborações, mas que teve que tirar o chapéu diante da beleza do texto de Dolores.

La Biographie de Rodrigo Faour, ressorti e 2012
Biografia de Dolores por Rodrigo Faour

Com Jobim, ela ainda escreveu Estrada do sol, enquanto ela dava outros grandes clássicos para o repertório da música brasileira. Com A noite do meu bem (Dolores Duran), que teria um reconhecimento mundial, foi retomada por Sinatra (Don’t never go away), teve uma versão magistral de Milton Nascimento, mas também uma outra de Kid Abelha. Sempre fazendo parte de suas composições, Castigo, Solidão, Fim de caso, se tornaram músicas que marcaram a música popular brasileira.

Após sua morte, foi dado a Carlos Lyra o texto que se tornaria em O Negócio é amar, uma bossa, que como eu já havia comentado, foi um movimento que o destino a impediu de conhecer intensamente. Mas sem nenhuma dúvida, ela já o havia precedido…

Retomando a coletânea lançada há alguns anos, ela possui os 4 álbuns oficiais lançados pela artista, 2 compilações póstumas, assim como dois álbuns reunindo outros artistas interpretando suas composições.
Se muitas vezes Maysa (1936-1977) é considerada como a cantora mais moderna do final dos anos 50, por suas atitudes rebeldes e provocantes, Dolores Duran a superou, sem dúvida, no plano da criação.

Jobim & Sinatra, Don't ever go away
A noite do meu bem, virou Don’t ever go away, no segundo disco Sinatra Jobim (69)

No total, são quase 40 títulos escritos de seu próprio punho que fizeram dela uma das primeiras compositoras importantes da música popular brasileira. E sua modernidade na interpretação, já a distinguia da dramaturgia dos ambientes dos boleros e do samba-canção da época. A quantidade de cantoras que começaram a compor no final dos anos 70 (Ângela Roro, Marina Lima, ou mais cedo, Joyce Moreno), assim como a onda de artistas femininas que se impuseram nos anos 90 (Calcanhotto, Marisa Monte, Zélia Duncan, Ana Carolina, Fernanda Abreu, e muitas outras), sabem o que elas lhe devem… Como este verso, de uma beleza e de uma simplicidade, que não teria sido renegado por Vinícius:

“Vem,me dê a mão, vamos sair pra ver o sol…” 

Avec Ary Barroso et Mariza, qui lui dédiera un ouvrage en 2007...

Dolores Duran, Ary Barroso e Marisa Gata Mansa (à direita)


 

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