Bioclip : Marcos Valle

Capa Marcos ValleA obra de Marcos Valle (nascido em 1943 no Rio de Janeiro), que se estende por mais de 50 anos, é mais complexa do que parece. Ela é de uma diversidade que, por muitas vezes, foi pouco colocada em evidência, dividida entre os ritmos brasileiros e norte-americanos, desde o trio bossa que ele formou com Edu Lobo e Dori Caymmi em 1961, passando por sua estadia nos EUA, em 1965, e sua curta participação no grupo de Sérgio Mendes. É durante este período que se encontram os clássicos que ele compôs, e que continuam sendo ainda hoje, a parte mais conhecida da sua obra com músicas como Terra de ninguém, Sonho de Maria, Preciso aprender a ser só, Samba do verão, Gente, quase todas escritas em parceria com seu irmão Paulo Sérgio Valle.

Mas se não nos prendermos às composições e álbuns que se estendem de 1968 a 1974, podemos constatar que sua música demonstra ser, pelo menos, tão interessante, e ao mesmo tempo empolgante, com a fusão da soul, da pop, sempre marcada por uma forte identidade brasileira, bossa, samba, jazz, e ritmos do Nordeste como o baião.

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“Vento sul” -1972

A partir de 1972, ele até mesmo se aproximou de sonoridades mais rock e psicodélicas, enquanto que, paralelamente, compôs para o mundo publicitário e foi cortejado para os temas dos primeiros anos das novelas.

Mas se nos concentramos na sua obra pessoal, através dos textos de Paulo Sérgio Valle, suas músicas se afirmaram como sendo mais engajadas do que possamos pensar, e isto, em relação a diferentes temas (políticos, sexuais, defendendo as minorias). Talvez o lado mais “músico” de Marcos, dono de um perfil naturalmente discreto, tenha ofuscado este aspecto. Resumindo, as músicas dos irmãos Valle demonstravam uma busca constante de novas sonoridades, de misturas de ritmos, mas também de posicionamento social afirmado durante esta época de ditadura no Brasil.

Cansado do clima pesado e da censura imposta pelo regime, Marcos Valle voltou para os EUA até 1980, trabalhando com inúmeros artistas americanos, e se banhando na disco music que conhecia seu apogeu.

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“Jet Samba”, inteiramente instrumental-2005

De volta ao Brasil, em seguida, após os anos 80 e três álbuns que obtiveram um sucesso tímido, foi com os DJ’s ingleses e com o selo Far Out Recordings, que ele deve o fato de ter sido, mais uma vez, reconhecido mundialmente, pelo seu dom inato para o ritmo e o groove. Isso ao longo de uma década, nos anos 90, durante a qual, paradoxalmente, ele não lançou nenhum álbum novo com inéditas.

Mas a partir do novo século até os dias de hoje, Marcos Valle se multiplicou entre novas criações brilhantes, e inúmeros projetos, entre os quais os que prestaram homenagem ao estilo da sua juventude, a bossa nova e a bossa jazz.

 

 

 

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