Um Baden e um Alf para chamar de seu! (2)

Baden Powell: "Guitare classique", avril 2017
Baden Powell: “Guitare classique”, abril 2017

quando vi a revista francesa « Guitare Classique » deste mês de abril, com Baden Powell na capa. E de me lembrar de tê-lo visto em 1997 no
« Vinícius Piano Bar », um clube pequeno na esquina das atuais Prudente de Morais e Vinícius de Moraes no Rio de Janeiro. Dava para contar o público nos dedos da mão, enquanto o virtuoso entrava em transe desestruturando Samba do avião de Tom Jobim.

Mas se trago à tona estes fatos, foi porque eles me vieram à mente quando vi a revista francesa « Guitare Classique » deste mês de abril, com Baden Powell na capa. E de me lembrar de tê-lo visto em 1997 no « Vinícius Piano Bar », um clube pequeno na esquina das atuais Prudente de Morais e Vinícius de Moraes no Rio de Janeiro. Dava para contar o público nos dedos da mão, enquanto o virtuoso entrava em transe desestruturando Samba do avião de Tom Jobim. Foi uma aterrissagem sacudida pelas turbulências!

No entanto, quando ele ia à Europa, Baden abarrotava as salas com mil pessoas. Um episódio da mesma categoria me deixa louco de raiva cada vez que penso nele. No mesmo clube pequeno, assisti o incrível pianista Johnny Alf com três ou quatro turistas torrados pelo sol, que deviam ter se perdido.

Johnny Alf que, na época da Bossa Nova, tinha decidido morar em São Paulo, não participou do movimento de Tom, Vinícius e João, mas Alf era acima de tudo mais jazz, e eu nunca o ouvi cantar Ilusão à toa ou Rapaz de bem de duas maneiras idênticas.

Johnny Alf & Zézé Motta
Johnny Alf & Zézé Motta

Foi na época do seu álbum « Olhos negros » em 1991, cercado de convidados. E enquanto eu o ouvia no bar, durante um intervalo, ele se aproximou de mim para um momento de pausa.

Eu tinha levado o cd, o que quase o fez cair do seu banco (eu tinha 22 anos), e o fato de um garoto lhe pedir um autógrafo parecia para ele um tanto quanto surpreendente. E me fazer perguntas sobre sua notoriedade na Europa. Precisei usar bastante diplomacia para não o decepcionar.

Johnny Alf: Olhos Negros (1991)

Hoje em São Paulo (talvez seja uma impressão falsa), tenho, no entanto, a impressão de que a bossa e a bossa jazz atraem novamente um público mais jovem. Afinal, são os que estão na faixa dos 15-20 anos que usam os T-shirts do Deep Purple, Black Sabbath, ou Iron Maiden, e nós continuamos escutando Mozart, Debussy e Villa-Lobos.

Aqueles ou aquelas que associam a música com o tempo e as épocas para julgar sua qualidade, estão pegando o caminho errado.

Não há nenhuma razão para que os jovens curiosos amantes de música redescubram Alf, ou a bossa, enquanto ninguém se surpreenderia se soubesse que João Donato prepara um show com Sepultura. E isso está longe de ser uma ironia….