Sakamoto e os Morelenbaum: um clima bossa zen no Ibirapueira

Ruytchi Sakamoto

Não existe voo direto entre Bruxelas e o Brasil, e Lisboa é sempre a escala escolhida quando faço uma ida e volta entre Bruxelas e – há 3 anos – São Paulo. É comum reconhecer artistas da cena da MPB, (frequentemente músicos) e desta vez, aquele senhor usando um chapéu bege, pequenos óculos, rosto redondo com uma barba por fazer há 3 dias, quase menor do que seu instrumento, um violoncelo, não era ninguém menos do que o grande Jacques Morelenbaum, que já acompanhou milhares de estrelas, das quais citarei apenas Antônio Carlos Jobim, na época da Banda Nova (anos 80).

Sua viagem à São Paulo estava plenamente justificada já que o músico ia participar do show que daria um outro compositor que trafega entre o popular, o erudito e o experimental, o mundialmente conhecido Ruyichi Sakamoto, que, para esta apresentação no parque Ibirapuera, tinha aceitado inaugurar musicalmente a casa do Japão de São Paulo, um dos centros musicais, como a cidade possui uma quantidade considerável.

À dupla Morelenbaum /Sakamoto, se juntou Paula Morelenbaum, também antiga corista da Banda Nova. O trio se conhecia bem uma vez que ele havia gravado “Casa” em 2002, dedicado a Jobim, depois “ A Day in New York”, no ano seguinte. Mais tarde, durante o show, o guitarrista Lula Galvão, e o percussionista Marcelo Costa entraram igualmente no palco.

Sakamoto no filme "Furyo" com Bowie
Sakamoto no filme “Furyo” com Bowie
Ruyichi Sakamoto, 07-05, Parque Ibirapueira
Ruyichi Sakamoto, 07-05, Parque Ibirapueira (foto Antônio Carlos Miguel**)

Eu conheci o nome de Sakamoto quando ele fazia parte de uma formação electro-pop, o Yellow Magic Orchestra, do qual eu havia adquirido um vinil amarelo que ainda tenho nos meus arquivos (Quantos no Ebay?), em 1979. E a banda continuou a trabalhar junto até recentemente. Em seguida, o acompanhei ao longo dos seus projetos com David Sylvian (ex-grupo Japan), e depois, claro, quando ele foi revelado para um público mais amplo, como ator, em “Furyo” (1983), filme de Nagasi Oshima com Tom Conti e David Bowie, do qual lembraremos mais do tema – que o próprio Ruyichi Sakamoto tinha pedido para compor – do que do filme por si próprio.

Mas o interesse do japonês pela Bossa Nova data de sua adolescência, quando ela já estudava piano. Ele encontrava uma serenidade que ele assimilava aos grandes compositores impressionistas como Debussy, ou à música clássica de seu país. Será que aí é que se encontra talvez uma das razões da paixão do Japão pela Bossa Nova até os dias de hoje?

Jacques Morelenbaum
Jacques Morelenbaum, 07-05, Parque Ibirapueira (foto Antônio Carlos Miguel**)

De Jobim, com ou sem seus dois parceiros, ele interpretou Insensatez, Sabiá, o tema menos conhecido, Canção para Michelle, e para o final, O Grande amor e inevitável Chega de saudade. Claro que o tema de “Furyo” já constava no programa. E como outros apaixonados por música, fiquei surpreso com a atenção e o respeito do público silencioso que a música divina impõe. Com minhas 15 horas de viagem e mais o fuso horário, eu, literalmente, viajei talvez mais do que os outros.

**Como nao tive o tempo de carregar minha maquina fotografica, o jornalista Antônio Carlos Miguel do Globo me salvou, me dando as fotos onde o nome dele esta creditado.No seu blog G1, vocês acharam uma entrevista de Sakamoto que conta como ele entrou com a Bossa Nova e a musica de Tom Jobim G1, vous trouverez entre autres une interview de Sakamoto qui raconte son lien avec la Bossa Nova

http://g1.globo.com/musica/blog/antonio-carlos-miguel/

O Trio Morelenbaum/ Sakamoto

          

Vidéo: –“Merry Xmas Mr Lawrence” (Sakamoto”)          -Trio Sakamoto Morelenbaum: “Bonita” (Jobim)
           –“Xmas Mister Lawrence” (cantado por David Sylvian)- (Sakamoto/ Sylvian)
                                                        –“Technopolis” (Yellow Magic Orchestra)