Um momento de felicidade não precisa de nada

Gal, Gil, Nando
Gal, Gil, & Nando Reis (Darian Dornelles)

Há pouco tempo atrás, falei com vocês sobre o status do jornalista que escreve, o de mais de 40 anos, no qual líamos a prosa no papel, que fosse em uma coluna ou uma página, a partir do momento em que o assunto nos interessava. E então o World Wide Web se espalhou pelos lares desde 1990 (100,000 computadores no mundo), 1 milhão em 1992; 40 milhões em 1996 e quase 400 milhões no início deste século.

Falar de antes e depois da internet, qualquer que seja o assunto já é então um assunto de “velho”? Para colocar na gaveta, era melhor antes? Claro que não: o computador de 95 não tinha nada a ver com este que está escrevendo estas linhas. Entre as inúmeras evoluções, existe a imagem, verdadeiro imperador da rede. Atualmente, podemos fazer uma estimação de 1 bilhão e meio de número de sites, e como em outros setores, fotos demais mata a foto. E, no entanto, é ela quem vai fazer com que você fique um tempo maior ou menor no site.

Quanto ao texto, sou o primeiro a hesitar em ler a resenha de um colega, quando o assunto ultrapassa 40 linhas (você ainda está aí?). Sempre digo que retomarei quando tiver tempo. Na verdade, minto para mim mesmo; eu olho a foto, se é um show ou uma capa, e a cotação final, e basta. Ou então, se eu leio é porque o artista do qual sou fã está sendo atacado. Mas aí, entramos na polêmica, outro parâmetro para fidelizar um visitante.

Uma foto, então, deve fazer prova de engenhosidade para que o leitor volte a seu site ou blog. Poderíamos ter este tipo de raciocínio. Mas da mesma maneira que eu pressuponho um retorno de uma responsabilidade do jornalista como sendo mais importante, fiquei feliz de ver aquele clichê de Darian Dorielles, na rubrica de Ancelmo Gois, que sem nenhuma astúcia me trouxe um pouco de felicidade só de olhar para ela. E isto porque os sentimentos humanos ainda são os mais fortes. Gal Costa abraçando sinceramente Gil, ao qual se junta Nando Reis em um clima de verdadeiro afeto.

E se o crítico deve se adaptar para julgar uma obra em 5 linhas para que seja lido, não é preciso ter luz, ou uma situação para provocar, pelo menos no que me diz respeito, um momento de felicidade. Como na música, é a sinceridade que faz a diferença entre a arte e o produto comercial, e a sinceridade que pode tornar um clichê cheio de emoção. Não sei se devo agradecer ao fotógrafo ou aos artistas. Mas eu só queria dividir este momento com aqueles que conseguiram ler estas 40 linhas. A vocês meu muito obrigado!