Seu erro? Nao tinha que se desculpar Mallu! (1)

La censure
Há quatro meses, apresento mais um programa em uma rádio francesa que tem como objetivo contar a biografia dos grandes nomes que fizeram a música popular americana e inglesa, de 1950 até os dias atuais. A carreira de uma grande parte deles teve frequentemente que enfrentar, sem motivos, a censura: capas, textos, opiniões religiosas, sexo, etc… Principalmente na América puritana que nunca resolveu seus preconceitos raciais. Mas a Inglaterra também não fica de fora.

Foi, então, na Europa, assim do nada, que tomei conhecimento de que a jovem Mallu Magalhães estava passando por uma história do mesmo calibre. Tão difícil de acreditar que, assim que voltei para São Paulo, e entusiasmado com o incrível « Vem », acabei esquecendo deste fato. Foi preciso que o jornal “A Folha” me lembrasse que o clipe de “Você não presta » (que eu apreciei !!) mostrava cenas que poderiam trair o racismo de uma moça de 24 anos, paulista, como ela própria canta, nascida em uma cidade cosmopolita por excelência.
Que o Brasil não está indo nada bem, eu sou o primeiro a não ficar nem um pouco feliz com isso, mas, pera aí, aonde vamos ?

Mallu Magalhaes

O que nos é estampado nas notícias do dia-a-dia não é o suficiente então para vermos o mal ali onde ele realmente existe? Haveria uma minoria (eu espero) que não se contenta com o que a realidade faz o povo brasileiro padecer?

E a pobre Mallu se sentido obrigada a pedir mil desculpas quando ela diz que os brancos também têm o direito de praticar o samba. Você não devia pedir desculpas por coisíssima nenhuma, Mallu, e eu paro por aqui, pois a besteira e a estupidez me cansam, me dão vontade de vomitar, e não merecem que eu perca meu tempo escrevendo estas linhas. E, no entanto… o fato é que, ao longo do tempo, e isso vale para a Bélgica ou para a França, o politicamente correto está se impondo cada vez mais, paralelamente aos extremistas, e que será preciso, em breve, pensar muitas vezes antes de expressar uma opinião. Se existe uma palavra cujo sentido muitas pessoas desconhecem, é a “democracia” e a liberdade de expressão, e é assim que se impõe sorrateiramente uma ditadura do pensamento, nem que seja leve. Ridículo!… A seguir, mas, falaremos sobre música desta vez!