Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro: uma obra de referência

Pedro Amorim & Paulo César Pinheiro: "Voz Nagô"
Pedro Amorim & Paulo César Pinheiro: “Voz Nagô”

Quando o mais prolífico letrista do samba e dos ritmos vindos da África, – quero falar de Paulo César Pinheiro – declara que « Voz Nagô » é um dos quatro álbuns de referência que faz ressurgir a alma do candomblé, dos afro-sambas, e do maracatu, não podemos deixar entrar por um ouvido e sair pelo outro as palavras de um dos personagens mais aptos para fazer julgamentos sobre isto.

Ele é o autor de mais de 2000 títulos compostos com uma centena de músicos, e sua poesia foi interpretada por mais de 500 intérpretes. Resumindo, um elogio desta envergadura (mesmo participando do disco!), tem um peso e tanto!
Paulo César Pinheiro cita « Coisas » do grande músico de Pernambuco, Moacyr Santos (1926 – 2006); as famosas afro – sambas escritos por Vinícius de Moraes e Baden Powell (1937 – 2000), outro parceiro de Pinheiro; e « Áfrico » (2002), álbum em colaboração com Sérgio Santos.
“Voz Nagô” é construído em torno de 14 títulos, a maioria inéditos, ou de outros interpretados por Naná Vasconcellos (1944 – 2016), ou Maria Bethânia, reconhecida como sendo há muito tempo uma outra porta-voz da religião afro – brasileira, que vem deste continente que legou ao Brasil esta riqueza de percussões do candomblé, da capoeira, e de outros ritmos como o lundu ou o jongo.

Pedro César Pinheiro (photo Daniel Achedjian)
Pedro César Pinheiro (foto Daniel Achedjian)

Embora o nome de Pedro Amorim seja certamente menos popular do que o do seu parceiro, seu percurso artístico cruzou com os maiores nomes da geração dos anos sessenta, mas também, com aqueles que emergiram a partir do novo século. Tocador de bandolim, ele empunha aqui outros violões, e interpreta com sua voz calorosa e levemente rouca, os títulos de « Voz Nagô ».

Pedro Amorim acompanhou no palco Elizeth Cardoso, Chico Buarque, Francis Hime, Zé Renato, Moacyr Luz, ou Dona Ivone Lara, enquanto suas composições foram entoadas pelas vozes impecáveis de Maria Bethânia, Roberta Sá, Ney Matogrosso, Teresa Cristina, Pedro Miranda, Nina Wirti e Llessi.

Pedro Amorim
Pedro Amorim (foto facebook de l’artiste)

Não se esforcem em entrar no mundo musical de « Voz Nagô »! De maneira surpreendente, somos conquistados pelo calor da voz de Pedro Amorim, pela homogeneidade do álbum, e pelas percussões de Pedro Miranda, Paulino Dias ou Thiago da Serrinha, músicos que os frequentadores deste site encontraram inúmeras vezes, os afro-sambas de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro nos fazem mergulhar em uma atmosfera envolvente, e eu não consigo deixar de pensar em Fabiana Cozza, que continua sendo uma das raras intérpretes da jovem geração a gerar esta mesma potência.

Pedro Amorim & Paulo César Pinheiro: “Voz Nagô”- Engenho prod.- (Bom!)