“Tribalistas” (2017): menos obvió, tão bom, e mais leve

Tribalistas 2017

Assim, durante o mês de agosto, voltando da Europa, eu sabia que dois álbuns iam dar pano para manga, e seriam alvo de debates nas próximas semanas.
“Caravanas” de Chico Buarque, e o segundo álbum dos Tribalistas, reunião dos músicos e compositores Marisa Montes, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Se a obra musical atual de Chico não tem, praticamente, mais repercussão fora do Brasil, “Tribalistas” (2002) continua sendo talvez o último álbum brasileiro que teve um sucesso razoável na Europa.
Seria devido ao fato de que Marisa Monte havia, desde seus primórdios, adquirido um certo status ao mesmo tempo que no Brasil? Ou será que o símbolo da reunião de três personagens emblemáticos nas suas origens (Rio, São Paulo, Bahia) traziam uma sonoridade inédita? Ou, mais simplesmente, teria sido devido à qualidade de um álbum positivo, feito com excelentes composições, encabeçadas comercialmente por Já sei namorar, Passe em casa, e sobretudo Velha infância.

Após alguns anos, ninguém acreditava mais em um segundo disco do trio, ainda mais porque se tivesse que reunir o trabalho dos três personagens entre seus vários projetos, a gente tinha à nossa disposição dois ou três discos dos Tribalistas já prontos. Eles possuíam uma sintonia no trabalho, e nunca tinham parado de gravar um com o outro.
No entanto, parece que uma nova reunião sob a mesma bandeira lhes era necessária. Eu já tinha uma vaga ideia do que seriam tanto « Caravana » quanto o segundo « Tribalistas ». O álbum do Chico não me surpreendeu, e provou ser mesmo melhor do que podíamos esperar.

Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes
Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes

Quanto aos Tribalistas, a sonoridade, o conjunto da qualidade das composições, e a harmonia vocais dos três músicos permanecem mágicos, mas o entusiasmo do primeiro álbum se tornou morno. Claro que ninguem esperava uma surpresa inesperada. Seria porque a situação positiva do Brasil de 2002 se encontra no extremo oposto deste ano de 2017? Eu não acredito muito nisso. O trio está até mais equilibrado. Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown ganharam em popularidade, mas aí também, o talento não se mede através da visibilidade dos personagens. Mas o som de “Tribalistas” (2017), já não nos surpreendia
Se quisermos analisar comercialmente o álbum, é difícil imaginar que Um Só ou o belo Aliança (para citar dois títulos que poderiam ter um apego popular) atingirão a sedução dos “singles” do primeiro disco. O que não coloca em questão, de jeito nenhum, a qualidade dos títulos, como dos dois trabalhos.
Acompanhados por Dadi (diferentes violões), Cézar Mendes (violão acústico), e pela portuguesa Carminho como convidada em duas faixas (como Margareth Menezes esteve no primeiro), “Tribalistas” (2017) se mostra mais leve, “a vontade”, mas falta o entusiasmo e mais consistência (que o dvd tenta demonstrar), sem ser um disco inferior. Como escreveu um jornalista carioca com discernimento, a ideia de uma turnê – inexistente em 2002 – não seria absurda, e só poderia alegrar o público. E acima de tudo, evitaria que este segundo álbum fosse esquecido em função do primeiro. Ele não merece!

Tribalistas 2017

Tribalistas: « Tribalistas » – Universal- (Bom!)