Escutando: “Flores e cores” de Guilherme Arantes

Guillerme Arantes

Quando em 2013, Guilherme Arantes lançou no mercado “Condição Humana”, vários jornalistas concordaram em dizer que o paulista voltava com a mesma inspiração que nos seus anos de reinado na pop brasileira. Humildemente, eu não estava vendo nenhum sinal deste retorno triunfal.
Talvez a presença no primeiro título, que reunia a jovem geração que lhe prestava homenagem merecidamente (Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Céu, Curumin, Vanessa da Mata…), por ter tido uma influência indiscutível em vários deles, criava uma certa confusão. Como curiosidade … Arantes, nos anos 80, recoltava em direitos autorais, bem mais do que pilares como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e alguns outros, em grande parte graças às novelas.

Como frequentemente durante seus shows, aquele que dominou o cenário pop de 1975 (Meu mundo e nada mais) e a década seguinte, analisa com clarividência sua obra em cerca de dez páginas incluídas no encarte do cd.

Cantor Guilherme Arantes

Para « Flores e Cores », ele teve a ideia de procurar em seus próprios arquivos as composições que ele havia criado, antes mesmo de ser o tecladista de Moto Perpétuo, grupo de rock progressista com quem ele gravou um álbum em 1974, do qual Guilherme era o principal compositor. Ele também se dá conta do fato de que, apesar das melodias acessíveis, suas músicas feitas em torno de 1969, no nível dos textos e das músicas, não possuíam a estrutura clássica pop: “introdução – verso- refrão- verso- ponte- refrão”. Da mesma forma, seus textos eram influenciados por Tristan Tzara, E. A. Poe, ou outros poetas concretistas.

Em uma época em que Wilson Simonal, e outros soulmen brasileiros respondiam muito à expectativa de um público em um momento de tensão política, o argumento tem fundamento.
Para “Flores e Cores”, Arantes retomou e refez os arranjos de três títulos compostos antes que ele tivesse 20 anos. E parece que se deu um pequeno milagre. Os arranjos e as melodias fazem referência aos seus anos dourados, enquanto permanecem atuais, seu cantar parece mais leve e livre, e basta ouvir A Árvore da inocência para perceber que esse processo de pesquisa lhe proporciona um verdadeiro prazer fazendo de “Flores e Cores” seu melhor álbum há muito tempo. Para nosso enorme prazer!

Guilherme Arantes: « Flores e Cores »-Coaxo de Sapo- (Muito bom!)