O aluno despreza o mestre : Paul Weller – Peter Townsend (1981)

Paul Weller (The Jam) & Pete Townsend (The Who)
Paul Weller, 20 anos…e Pete Townsend, musico legendario  de The Who

 

E então, num dia de 1980, no Soho (Londres), a revista musical inglesa ‘Melody Maker’ conseguiu organizar o encontro do que deveria ser um encontro musical histórico, entre o mestre e o aluno : Peter Tonwsend, o legendário guitarrista do grupo The Who aceitara encontrar aquele que, aos olhos do mundo “new wave”, fazia reviver com sucesso o movimento “Mod”, nascido no início dos anos 60 : o jovem Paul Weller, com apenas 20 anos, mas que já tinha mostrado sua forte personalidade e seu talento de compositor a serviço do seu trio The Jam. Mas ponto de deferência do jovem rapaz no programa.
Weller, como uma boa quantidade de jovens “rocker”, era um especialista de cara emburrada, de sorriso sínico, de respostas lacônicas aos jornalistas. Em suma, ele me perdoará agora (sobretudo porque tive direito a uma entrevista de uma hora, no ano seguinte, bastante simpática com os três músicos), era um pirralhinho pseudo-intelectual, que extraindo sua força do uniforme Mod (falaremos de novo sobre isso), tinha algumas verdades políticas sobre a Inglaterra para denunciar sob a era Thatcher – mesmo desajeitadamente – aos 18 anos.

E a foto final que foi tirada para a revista no término do encontro, se revela como o reflexo do que foi este cara a cara que se tornou uma confrontação.

Com certeza, Paul Weller tinha ficado impressionado com o álbum “My Generation” (1965) do The Who, mas nunca houve uma verdadeira admiração de Weller em relação a Townsend.

O jovem compositor de Woking (cidadezinha operária perto de Londres) era politizado, mas na contramão do que enaltecia o movimento punk inglês de 1977, – mas sacrilégio-, apoiando a Monarquia (opostamente aos punks que dividiam um neurônio por quatro), as tradições inglesas, de maneira alguma culpadas das astúcias dos políticos ou do caminho ultraliberal de Margareth Thatcher.
Townsend já de uma “geração” anterior, se viu confrontado com as questões e reflexões de um Weller eletrizado por uma revolta da sociedade inglesa, e por seu real pertencimento ao movimento “mod”. E podem acreditar em mim, tenho essa visão do Weller argumentando com uma energia mal contida, quando nos encontramos, suas mandíbulas se contraiam, e seu sotaque de Woking tornou meu exercício de tradução perigoso.

Pete Townsend, Keith Moon, Roger Daltrey et John Entwistle:The Who
Pete Townsend, Keith Moon, Roger Daltrey e John Entwistle: The Who

The Who foi realmente um dos guias deste movimento estético, musical, levando um estilo de vida bem definido? Provavelmente não tanto quanto quisemos dizer, mas esta casta devia, entre os Small faces e The Jam, encontrar um grupo de peso. O debate ainda hoje gera turbulência, basta ler as obras sobre os Mods. Em poucas palavras, se podemos ser seduzidos pela elegância destes jovens ingleses, inspirados pela moda italiana, e as Vespas, o gosto musical dos Mods, indo de Tamla Motown, The Nothern soul (soul do Norte da Ilha), The Beatles, The Small Faces, ou The Who, que tinha feito a musica de « Quadrophonia » (1973), história de um jovem mod (estilo ópera-rock assinada por Townsed, Daltrey, Keith Moon, e John Entwistle, com o jovem Sting como ator principal, ainda desconhecido, enquanto Police ainda não existia), que lhes dava uma credibilidade.

The Jam 1977, Weller à droite, 18 ans à peine
The Jam 1977

Com certeza, Paul Weller era um fã devoto dos Beatles, da Nothern soul inglesa e Tamla Motown. E quem além dos Beatles já tinha provado desde 1962 sua admiração pela soul americana. Isso não é uma pergunta, é um fato diante das inúmeras versões do quarteto de Liverpool nos seus dois primeiros álbuns. Mais tarde, Weller confessaria que os Sex Pistols, pela energia transbordante, foi importante para The Jam em 1977, mas é com The Clash, outro grupo punk (nos seus dois primeiros álbuns), que foi mais proximo das ideias de Weller pela sinceridade dos seus discursos.

Mas voltando a Peter Townsend…
A conclusão inesperada do encontro desta criança turbulenta com menos de 20 anos (Weller) com seu pretendido pai espiritual, se transforma em uma discussão durante a qual a “legenda” Townsend teve que encarar como um boxeador no ringue, as perguntas e as reflexões de Weller, o peso pena, sem realmente ter uma pausa. Weller nem um pouco impressionado esperava respostas, mas pode apostar que ele sabia que não teria nenhuma. Escutando a conversa, temos a impressão de que Paul Weller estava se perguntando o que ele estava fazendo ali, discutindo com um roqueiro blasé, cujo período de rebelião estava a léguas atrás dele.

Os comentários dos dois artistas, após esta confrontação refletem esta foto: Townsend fala da admiração e da personalidade forte no que diz respeito a Weller. Este último não esconde que teria preferido passar estas duas horas torcendo pelo clube de Chelsea, seu time de futebol do coração, do que lançar mísseis a uma estrela do rock admirada, mas vazia de qualquer revolta, desinteressada pela situação extremamente crítica que passava a Inglaterra “tatcheriana” do início daquela década. Ray Davies, do grupo The Kinks, se revelou mais essencial quanto aos textos de Paul Weller.

Photo publié par le Melody Maker: Weller et Townsend
foto publicada no Melody Maker: Weller e Townsend

Mas isso não significa que este último, um homem determinado, mas inteligente, tenha rejeitado o significado artístico de Pete Townsend. Nenhuma animosidade nasceu entre os dois homens, e eles se reencontraram no palco várias vezes durante as três décadas seguintes, como neste vídeo, interpretando “So sad about us”, que Weller e The Jam tinham gravado em 1978.

Essa pequena anedota prova que Weller nunca fez concessões, permaneceu fiel às suas convicções, mesmo se seus dois colegas do The Jam tenham levado vários anos para digerir que o grupo tenha se separado em 1982, numa época em que o trio ocupava os primeiros lugares nas paradas inglesas de uma maneira insolente. Paul Weller não é isento de culpa por não ter mais querido falar com Bruce Foxton (baixo, vocal) e Rick Butler (bateria), mas novamente, o tempo fez o seu trabalho e eles se encontraram em várias ocasiões nos anos 2000, sem nem mesmo se juntarem novamente, que fosse pelo menos durante um show.

• (O movimento Mod é um assunto complexo, tema de muitas obras sobre as quais teremos a oportunidade de evocar outros aspectos. Ele foi mais uma vez a base do sucesso do “brit pop” em 1990, encarnado, principalmente , por Oasis e Blurr).
• Esta reflexão vale para Paul Weller, The Jam ou The Who, obviamente …)


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