Mas onde fica o “Japan” mesmo?

Japan, David Sylvian, mi- glam, mi- nouveau romantique
Japan, David Sylvian, mi- glam, mi- nouveau romantique

Existem artistas e grupos que ficam fulos da vida que seus primeiros passos musicais, devido ao sucesso de suas carreiras, sejam editados de novo pelas suas gravadoras, quando eles bem quiserem. Muitas vezes, eles estavam se descobrindo e a mil léguas do que suas personalidades refinadas revelariam ao público em geral. Me faz pensar em David Bowie e seu álbum de 1967. Mas neste caso, o artista londrino estava em uma ótica sincera de uma tradição do cabaré inglês, ainda personificado por Anthony Newlay, famoso cantor dos anos 50 e início dos anos 60. E se o olharmos de perto, atrás das melodias orquestrais e de uma voz inocente, os textos de David Jones Bowie estão longe de serem aqueles de um mundo de desenho animado de Walt Disney. Muitos dos seus temas pressagiavam suas angústias futuras. Mas essas algumas linhas são a consequência de um DVD, de uma série de cinco, do grupo inglês Japan, encabeçado desde 1974 pelo cantor e compositor David Sylvian.

Japan entre deux styles
Japan entre deux styles

“Adolescent sex” e “Obscure alternatives”, seus dois primeiros álbuns de 1978 são o trabalho de um grupo que – além de tido um desconto para grupo em um cabeleireiro para um corte de cabelo para cinco – são discos que classificam o Japan em uma categoria de grupo desinteressante. E apenas o nome da banda … Sem comentários! Parece que foi improvisado, foi a ideia rápida de Sylvian que tranquilizou seus cúmplices, afirmando que seria um nome temporário. Mas que seria definitivo. A música deles era semelhante a uma espécie de glam rock tardio, enquanto que esteticamente, pressagiavam os “novos românticos” dos anos 80.

David Sylvian, plus masculin, mais toujours ambigü
                      David Sylvian, plus masculin, mais toujours ambigü

Em suma, difícil de classificar naquela época, ainda por cima, as músicas deles não fediam nem cheiravam, como se diz por aí. O cantar de David Sylvian é irreconhecível, e uns títulos cantados com esta voz anasalada não tem nada a ver com a que seria aquela que ele adotaria à partir do álbum “Quiet life”(1979), muito próximo de um Bryan Ferry. Uma transformação que só pode ser voluntária, e que é acompanhada por uma mudança radical de estilo, mais eletrônica, e dominada pelo baixo de Mick Karne, um fretless, um músico que até então tinha sido bastante discreto. Nenhum dos livros, documentários ou artigos que consultei explicam essa súbita salvadora mutação. Mas qual é a importância! Eu respeito Sylvian por tudo que ele faria depois desses dois álbuns com o Japan e em solo e o objetivo não é controverso. O que o Japan e David Sylvian produzirão à partir de 1982, data da dissolução do grupo, não deve ser subestimada.
Eu lhes dou como aperitivo alguns clipes que farão vocês entenderem o meu espanto.
Foi a reflexão do dia …

Joao & Astrud Gilberto (début 1960)   …Blogs, sites, livros, biografias,
  Bryan Ferry, tournée 2019, Bruxelles (photo Daniel Achedjian) Falar de
Le nouveau linup du Fleetwood Mac (photo internet) Pois sim, na
Djavan (photo Daniel Achedjian) L’aptitude de certains grands artistes (les autres nous intéressent moins !), ne
Laissez le rock à qui savent s'en servir!: Springsteen & Mc