Punk, só uma placa de indicaçao

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Um processo em quatro partes

A literatura relativa à música popular de língua inglesa não nasceu ontem. Mas muitas vezes referia-se às mesmas épocas e aos mesmos assuntos. Por esta razão, gostei do livro «Nova Iorque 1973-1977» de Will Hermes, que traça o retrato da cidade americana numa época de transição quando, à saída dos anos 60, reinava uma depressão. Isso deveu-se não só às circunstâncias mundiais, mas também à situação musical, cujo facto número um foi a separação dos Beatles. Mas outros acontecimentos fizeram desta época uma espécie de deserto que este livro desmente, mostrando que estes anos eram como uma preparação viva para o surgimento de uma nova cena nova-iorquina. Se a suposta vaga punk conheceu muitos livros, não faz muito tempo que muitas obras de diferentes línguas se debruçaram principalmente sobre o post punk (cerca de 1977-1984), o pré-punk, (1974-1977), ver mesmo o protopunk, para o final dos anos 60 com MC5, excelente grupo um pouco perdido de vista, The Sonics e claro Iggy Pop e os Stooges, pode ser o verdadeiro e único grupo punk na aceitação geral do termo. O jornalista Lester Bangs já tinha chamado a estes poucos grupos dos anos sessenta de «punk», mas o futuro obrigou a mudar o termo. Estas obras, principalmente no pós-punk, seguem hoje o gosto do público cinquentenário, mas também adolescente, como se nada tivesse excedido qualitativamente esta década. Não acredito no «estava melhor antes», mas era de outra maneira. Desde os anos 90, se se pode reconhecer uma cena grunge, um renascimento da britpop, muitos grupos ingleses já não classificam como antes. Sabemos que o mercado da música mudou, mas não creio que isso tenha provocado qualquer influência.

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A música popular possui novos artistas desde os anos 90, mas, como a pintura em tela, é difícil inventar algo surpreendente ou inédito. Mesmo grupos como Radiohead, Coldplay, ou mais recentemente The National, Father John Misty, não podem evitar a comparação com antigos artistas e estilos. O Jack White pode ser um dos mais inovadores, mas talvez seja essa a razão da sua grande cultura musical. O último disco do seu grupo The Raconteur, continua a ser um dos mais entusiasmantes deste ano, mas não nos impedirá de encontrar nele referências. Mas voltemos ao «punk», do qual há algumas semanas vos digo que ele não existiu como se pensa. Em primeiro lugar, era um adjectivo que significava algo «inútil» ou desonesto. No Brasil, hoje, a palavra aparece na linguagem corrente para significar que a situação era quente, tensa e que quase correu mal.

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Em Nova York, a palavra retornou no meio musical para definir uma onda de artistas novos para 1973, que estava bem longe do rock progressivo de um Genesis, ELP, Pink Floyd ou Yes. A revista «Punk» nasce em 1975 e refere-se a esta palavra este punhado de excelentes bandas que se tornaram como Blondie, Talking Heads, Television, Suicide, The Ramones, Patty Smith, que tocava no clube CBGB, sem ter uma ligação musical comum. Mas não se tratava de um alfinete de ama, de um piercing, de uma crista verde de iroquois, ou de umas calças muito apertadas e um pouco esburacadas em todo o lado, sem esquecer o regresso do perfecto de couro, adornado com suásticas, o que era um absurdo, já que os punks se diziam anti-fascistas.

cbgb_photoNão esqueçamos o fenômeno que eram as New York Dolls, grupo próximo do glam dos músicos vestidos de meninas e que semeavam o tumulto por onde passavam. Todos estes grupos visitavam géneros muito diferentes, do rock intello ou arty, ao rockabilly autodestrutivo de Suicide, o grupo de Alan Vega. Só os Ramones tocavam um rock básico à velocidade de um raio equivalente a dois minutos a canção, e o seu visual de roqueiro não demasiado elegante combinava com o que ofereciam aos americanos. É importante dizer que a violência entre os fãs não existia, já que eles eram os habituais do famoso CBGB

 

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