1977: os verdadeiros pioneiros do futuro (3)

Iggy Pop, "The Idiot", com participaçao de Bowie, Eno e Toni Visconti,
Iggy Pop, “The Idiot”, com participaçao de Bowie, Eno e Toni Visconti, gravado na França, 1977

Duas pequenas reflexões sobre o punk e este ano de 1977, que é um ano símbolo quando se fala de música popular. Os Sex Pistols, e mesmo os grupos que se seguiram, tocavam a musica que eles desprezaram. Isso sem querer. Uma bela contradição! Como músicos primários, terminando com o virtuoso mas egocêntrico rock progressivo, eles retornavam a um período mais antigo, o do rock ‘n’roll de um Chuck Berry, que ainda era um dos alvos a destruir (Rotten fez uma paródia de Chuck, que poderia ter passado se fosse engraçada, mas «humor» e «atitude punk» nunca cruzaram o mesmo caminho). Os punks queriam ser «o ano zero» da música, mas tudo o que faziam era voltar ao bom e velho rock rock, excepto o mal jogado e pouco excitante. Tratava-se também de dar provas de desconhecimento total do que se passava nesse mesmo ano.

Robert Fripp, Brian Eno, Bowie, "Heroes", in Berlin
Robert Fripp, Brian Eno, Bowie, “Heroes”, in Berlin
1977 foi a de quatro álbuns gravados no continente europeu, e que formarão a base da música post punk até hoje, Estes discos foram a criação de alguns artistas excepcionais em um tempo recorde: David Bowie, Brian Eno, Iggy Pop, já para não falar do produtor Tony Visconti. A saída num só ano de «Low», «Heroes», «The Idiot», e «Lust for life», foi de uma importância ainda demasiado subestimada nos nossos dias, mas cuja contribuição essencial os grupos New Wave tinham compreendido. Eles foram uma pedra angular na história da música, seja ela erudita ou popular. Estes álbuns deviam-se aos génios dos artistas citados, mas também à vaga alemã «Krautrock» liderada por Kraftwerk e Neu! Por volta de 1974, grupos que influenciaram Bowie e Eno com uma estética realmente nova. Estes alemães de Dusseldorf desempenharam um papel capital até hoje.
Kraftwerk ao vivo
Kraftwerk ao vivo

Não sejamos radicais com os Pistols. Entre eles, há um artista intelectual acima do lote, Johnny Rotten, o cantor, que ele mesmo, em um programa dedicado a ele, pediu carta branca a respeito da programação. Aqueles que esperavam outros grupos do movimento punk, tinham direito a jazz, reggae, soul, enfim, a estilos que Malcolm Mc Laren, seu mentor, não esperava ouvir. O Rotten sabia muito bem que o seu grupo tinha sido criado artificialmente.

Jah Wobble, apaixonado pelo dub reggae
Jah Wobble, apaixonado pelo dub reggae
Era o início do fim dos Pistols, e depois o seu cantor começou a insultar o público que vinha ver a banda, gritando: “Como podem pagar para nos ver? Caíram na armadilha, seus cabrões sem cérebro! ». Mc Laren demitiu Rotten, e colocou-o no comando dos Pistols, Sid Vicious, um miúdo cujos neurónios estavam queimados devido ao seu abuso de drogas, e que entretanto, matou a namorada num excesso que o levou a uma overdose fatal. Assim termina a vida de um rapaz que nada tinha empreendido, perdido num turbilhão de violência e de substâncias mortais, e cujo único facto de glória, sem que ele o soubesse, seria a imagem símbolo da contracultura e anti-social. (à seguir)

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